Segunda vítima afirma que foi demitida da Câmara de Sinop após rejeitar propostas sexuais de vereador Marcos Vinícius
Uma jovem de 22 anos afirmou, em entrevista exclusiva ao Portal Pauta Livre MT, ter sido dispensada da Câmara Municipal de Sinop após recusar propostas e fetiches sexuais atribuídos ao vereador Marcos Vinícius Borges (PSDB). Segundo o relato da mulher que é a segunda entrevistada, já havia recebido a promessa de emprego no Legislativo sinopense e que só teria permanecido no cargo caso aceitasse as exigências do parlamentar.
A jovem contou que conheceu o vereador pelas redes sociais. No início, segundo ela, Marcos Vinícius demonstrava ser uma pessoa carinhosa e atenciosa, mas posteriormente teria começado a fazer propostas relacionadas a festas de swing, viagens e relações sexuais com ele e outros homens.
De acordo com a denunciante, o vereador insistia para que ela participasse das situações, mesmo após ela afirmar que não concordava. Ela também relatou que recebeu a promessa de conhecer o mar e viajar para o Rio de Janeiro, mas que, durante a preparação da viagem, o parlamentar teria apresentado condições de natureza sexual.
“Ele começou a falar umas coisas muito contraditórias, tipo: você vai fazer tal coisa para mim lá?”, relatou a jovem durante entrevista ao Portal Pauta Livre MT.
Ainda conforme o depoimento, o vereador teria comprado roupas curtas para que ela usasse durante a viagem. Diante da recusa, ele teria ficado irritado. Pouco tempo depois, após aproximadamente dois ou três meses de trabalho na Câmara, a jovem afirma que foi comunicada por uma servidora do setor de Recursos Humanos de que deveria deixar o cargo.
“Ele mandou eu sair, sem falar nada. Só pediu para a moça do RH falar comigo para eu sair da Câmara”, afirmou.
Questionada se acredita que a demissão ocorreu por não aceitar as propostas, a jovem respondeu que sim. “Eu acredito que, se eu tivesse aceitado, eu estaria trabalhando lá até hoje”, declarou.
Pressão e medo de exposição
A denunciante também afirmou que o vereador tentava registrar momentos íntimos com o celular, mesmo sem a autorização dela. Segundo o relato, ela dizia que não se sentia confortável, mas ele insistia.
A jovem declarou ainda ter medo de que possíveis imagens sejam divulgadas. Ela contou que o vereador teria mostrado vídeos íntimos de outras mulheres, algumas delas de Sinop e de outras cidades.
“Se ele me mostrava o que ele pode fazer com as minhas e com as outras mulheres que ele conhecia, eu fico com medo”, disse.
Conforme o depoimento, os vídeos mostrados pelo parlamentar envolveriam mulheres nuas ou em situações sexuais com outros homens. A jovem afirmou que algumas aparentavam ser muito novas e que não conhecia a maioria delas.
Relato de pressão psicológica
A jovem também disse que se sentia pressionada durante os encontros e que, em algumas situações, não estava completamente sóbria.
“Eu me sentia acuada, me sentia abusada. Ele se aproveitou de mim todas as vezes que eu não estava sóbria e que eu estava fora de si”, relatou.
Ela afirmou que ficou psicologicamente abalada, passou a se sentir exposta na cidade e acredita ter sido manipulada pelo vereador.
“Eu fui manipulada e usada de um jeito que me sinto mal até hoje”, declarou.
Durante a entrevista, a jovem também mencionou uma situação em que teria sido levada a uma festa com a presença de uma pessoa menor de idade. Segundo ela, inicialmente o vereador teria atribuído o interesse ao amigo, mas depois ela passou a acreditar que o próprio parlamentar também teria interesse por mulheres mais novas.
As declarações fazem parte de um relato apresentado pela jovem e deverão ser apuradas pelas autoridades competentes. O espaço permanece aberto para manifestação do vereador Marcos Vinícius Borges e da Câmara Municipal de Sinop.
RELEMBRE O CASO DIVULGADO NA SEGUNDA-FEIRA
Na segunda-feira, o portal Pauta Livre MT também divulgou o relato de uma ex-funcionária da Câmara Municipal de Sinop, que também acusou o vereador Marcos Vinícius Borges de assédio, ameaças e supostas gravações não consentidas.
Segundo a ex-servidora, o contato com o vereador teria começado em ambientes sociais e evoluído para uma aproximação pessoal. Depois, ela teria recebido um convite para trabalhar no gabinete do parlamentar, onde iniciou as atividades em 2026.
A mulher afirmou que Marcos Vinícius teria falado sobre fetiches e insistido em práticas com as quais ela não concordava. Um dos episódios relatados teria ocorrido dentro da própria Câmara, quando um amigo do vereador teria ido até a sala onde ela estava, segurado sua perna e feito investidas de cunho sexual.
Ainda conforme a denúncia, o homem teria dito que a contratação dela fazia parte de um “jogo” e que a intenção era que ela se envolvesse com os dois. A ex-funcionária disse que pediu para que ele parasse e deixasse o local.
Outro ponto da denúncia envolve supostas ameaças relacionadas a imagens íntimas. A ex-servidora relatou que teria mantido relação sexual com o vereador em um imóvel onde havia uma câmera de segurança cuja existência, segundo ela, não era conhecida nem autorizada.
Após decidir encerrar o relacionamento e manifestar o desejo de continuar trabalhando, a mulher afirmou que teria sido ameaçada para deixar o ambiente de trabalho. Ela também declarou que o vereador teria mencionado a possibilidade de divulgar vídeos íntimos registrados pelas câmeras.
A ex-funcionária disse estar psicologicamente abalada e temer novas ameaças ou represálias. O caso foi registrado na Delegacia da Polícia Civil de Sinop, que investiga as denúncias.
As acusações apresentadas pelas duas mulheres também estão sendo investigadas pela Delegacia da Mulher, em Sinop.
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