Operação da PC mira influencer, bloqueia R$ 21,4 milhões e apura ligação com MCs presos

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta terça-feira (18), a Operação Engodo Digital, que tem entre os alvos uma influenciadora digital de Sorriso, com mais de 115 mil seguidores, e determinou o bloqueio de mais de R$ 21,4 milhões em contas bancárias. A ação investiga um esquema de exploração de jogos de azar, captação ilegal de apostas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa.
Conforme a polícia, ao todo, são cumpridas 56 ordens judiciais, entre elas 14 mandados de busca e apreensão em endereços de pessoas físicas e jurídicas, sequestro de bens, quebra de sigilo telemático, bloqueio de contas em redes sociais e medidas cautelares, como apreensão de passaportes.
A operação é conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop, com ordens expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Sinop. Em Mato Grosso, os mandados são cumpridos em Sorriso. Também há diligências em São Paulo e São Bernardo do Campo.
Entre os investigados estão 10 pessoas físicas e 8 empresas, apontadas como integrantes de uma rede responsável pela divulgação de plataformas de apostas sem autorização e pela movimentação e ocultação dos recursos obtidos com a atividade ilegal.
Influencer é apontada como peça central
Segundo a investigação, a influenciadora de Sorriso ocupava posição central no esquema. Conhecida nas redes sociais e com mais de 115 mil seguidores, ela utilizava duas contas para divulgar plataformas de jogos de azar não autorizadas.
A investigada também mantinha, ao lado de outra pessoa, um grupo no WhatsApp utilizado para distribuir links e orientações relacionadas a apostas de cotas fixas consideradas ilegais.
A apuração identificou ainda a movimentação de mais de R$ 28 milhões entre 2023 e 2025 que não teriam sido declarados. Para a Polícia Civil, há fortes indícios de que os valores sejam provenientes da exploração de jogos ilegais pela internet.
De acordo com a Draco, o dinheiro era inicialmente movimentado por empresas ligadas às plataformas de apostas e, posteriormente, redistribuído para uma rede formada por familiares e colaboradores da influenciadora.
Entre as empresas citadas na investigação estão Cash Pay Meios de Pagamento Ltda., All Bet Entretenimento Ltda., Bytech Ltda. e HKP Pay Pagamentos.
A Polícia Civil também aponta que empresas teriam sido criadas ou utilizadas para dificultar a identificação da origem dos recursos. A investigação cita ainda supostas simulações societárias envolvendo empresas do ramo de beleza.
Investigação mira conexão com operação da PF
A Operação Engodo Digital também apura uma possível ligação de dois alvos que possuem endereço em São Paulo com a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal em abril deste ano.
A operação da PF investigou um esquema financeiro relacionado a plataformas clandestinas de apostas e resultou na prisão de nomes como os cantores MC Ryan SP e Poze do Rodo, além do influenciador Chrys Dias e do responsável pela página Choquei.

Segundo a investigação, uma fintech apontada como núcleo financeiro do esquema concentrava valores arrecadados por plataformas clandestinas e possibilitava a transferência de recursos para o exterior.
A mesma empresa e seu proprietário também são alvos da Operação Engodo Digital. Em São Paulo, foram determinadas medidas de busca e apreensão, sequestro de bens e valores e apreensão de passaporte.
As diligências contam com apoio das Delegacias Regionais de Nova Mutum e Sinop. Em São Paulo, equipes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) auxiliam no cumprimento das ordens judiciais.
Os investigados são alvos de apuração e, até o momento, não há condenação definitiva pelos crimes investigados.
Fonte: Policial – O DOCUMENTO | Confira as principais notícias de Cuiabá, Mato Grosso e região (https://odocumento.com.br/operacao-da-pc-mira-influencer-bloqueia-r-21-4-milhoes-e-apura-ligacao-com-mcs-presos/)

