O 8 de janeiro ainda divide opiniões entre ‘invasão criminosa’ e ‘governo opressor’
fred.moraes@gazetadigital.com.br
Montagem do GD
3 anos após a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 voltaram a dominar o discurso de deputados federais e estaduais de Mato Grosso, expondo leituras radicalmente opostas sobre o episódio que marcou a história recente do país.
Enquanto parlamentares voltados à esquerda classificam os acontecimentos como uma tentativa clara de golpe de Estado, integrantes da direita insistem na narrativa de excesso do Estado, perseguição política e criminalização de manifestantes.
As manifestações ocorreram no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, no Palácio do Planalto, do ato em memória dos 3 anos dos ataques e anunciou o veto integral ao Projeto de Lei nº 2.162/2025, o chamado PL da Dosimetria, que previa a redução de penas de condenados pelos atos golpistas.
‘Tentativa de golpe’ e defesa da democracia
Em publicação nas redes sociais, o deputado estadual Valdir Barranco (PT) foi enfático ao relembrar o episódio, classificando-o como uma tentativa de golpe “orquestrada por Jair Bolsonaro” que culminou na “invasão criminosa” das sedes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Palácio do Planalto.
Barranco destacou que o Brasil já viveu os “horrores da ditadura militar” e que a democracia foi reconquistada com sacrifício, sendo consolidada pela Constituição de 1988. Segundo ele, não há espaço para rupturas institucionais, e o respeito ao resultado das urnas é regra básica do regime democrático.
Posição semelhante foi adotada pelo deputado estadual Lúdio Cabral (PT), que classificou o 8 de janeiro como “uma tentativa de golpe e um ataque direto à democracia brasileira”, liderado por quem não aceitou o resultado das eleições de 2022. “Golpe e ditadura nunca mais”, escreveu.
Oposição fala em armadilha e criminalização
Do outro lado do espectro político, o deputado federal Nelson Barbudo (PL) apresentou uma leitura completamente distinta. Em postagem, afirmou que o episódio foi uma “arapuca” armada pelo governo Lula para prender “milhares de pessoas inocentes” inconformadas com a volta ao poder de um político condenado por corrupção. Para ele, o Estado passou a reprimir cidadãos que apenas manifestavam suas opiniões, questionando: “Que governo é esse que prende os que manifestam seus pensamentos?”.
Já o deputado federal José Medeiros (PL) divulgou um vídeo de aproximadamente três minutos, produzido com uso de inteligência artificial, no qual critica o que chama de “narrativa do golpe”. No material, Medeiros sustenta que houve vandalismo e crimes, mas não uma tentativa de golpe de Estado, por ausência de armas, comando, hierarquia e liderança. O senador também questiona a proporcionalidade das penas aplicadas, denuncia “dois pesos e duas medidas” na Justiça e critica o veto presidencial ao PL da Dosimetria, afirmando que a proposta apenas impediria abusos e garantiria individualização das penas.

