{"id":40447,"date":"2024-12-27T16:43:04","date_gmt":"2024-12-27T19:43:04","guid":{"rendered":"https:\/\/portalnewsgta.com.br\/index.php\/2024\/12\/27\/quem-e-viviane-batidao-a-rainha-do-tecnomelody-que-quer-conquistar-o-brasil\/"},"modified":"2024-12-27T16:43:04","modified_gmt":"2024-12-27T19:43:04","slug":"quem-e-viviane-batidao-a-rainha-do-tecnomelody-que-quer-conquistar-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portalnewsgta.com.br\/index.php\/2024\/12\/27\/quem-e-viviane-batidao-a-rainha-do-tecnomelody-que-quer-conquistar-o-brasil\/","title":{"rendered":"Quem \u00e9 Viviane Batid\u00e3o, a rainha do tecnomelody que quer conquistar o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>BEL\u00c9M, AL (FOLHAPRESS) &#8211; Por volta de 2017, Viviane Batid\u00e3o decidiu subir suas m\u00fasicas no Spotify. Sem saber que poderia ser remunerada pelas reprodu\u00e7\u00f5es no streaming, ela passou tr\u00eas anos sem ver a cor do dinheiro.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\">\u00a0<\/div>\n<p>&#8220;Um amigo, que se dizia amigo, subiu as faixas e botou a conta banc\u00e1ria dele. Fui roubada&#8221;, diz a rainha do tecnomelody. &#8220;Aqui voc\u00ea fazia m\u00fasica, sa\u00eda soltando, nem em plataforma subia. Quando falo que o Brasil n\u00e3o consome nossa m\u00fasica, \u00e9 verdade, porque a gente consegue sobreviver do que faz aqui -e vive bem.&#8221;<\/p>\n<p>O show que ela fez no festival Psica, em Bel\u00e9m, no s\u00e1bado (14), n\u00e3o deixa d\u00favidas. Viviane foi recebida com a pompa de estrela pop que ela tem no norte do pa\u00eds, e apresentou seu repert\u00f3rio de quase 20 anos de tecnomelody com n\u00fameros perform\u00e1ticos e a pirotecnia que o paraense adora, tudo para uma plateia magnetizada.<\/p>\n<p>Mas ela \u00e9 uma rainha dentro de um ecossistema musical autossuficiente, com c\u00f3digos e um modo de funcionamento pr\u00f3prio, que n\u00e3o \u00e9 feito para ser compreendido no resto do pa\u00eds. Mais que isso, sua obra e persona resultam dessa cultura, que ela agora quer levar ao Brasil sem se vender no meio do caminho.<\/p>\n<p>&#8220;Eu estava muito conformada em fazer o que fa\u00e7o dentro do meu estado, para o meu p\u00fablico&#8221;, diz. &#8220;Fui muito clara com o escrit\u00f3rio [que a contratou para tentar nacionalizar sua m\u00fasica]. Vamos expandir, mas n\u00e3o quero deixar de ser quem eu sou. N\u00e3o quero me moldar para encaixar num padr\u00e3o sulista. Minha miss\u00e3o \u00e9 tentar levar o que de fato a gente consome aqui. Se n\u00e3o der certo, volto feliz. Mas se der, vai ser muito bom.&#8221;<\/p>\n<p>Esse movimento ficou claro no \u00faltimo pr\u00eamio Multishow, em que Viviane saiu vencedora da categoria Brasil. Em seu discurso, ela se apresentou como representante &#8220;de uma cultura, um g\u00eanero e um povo&#8221;, posto que ela conquistou a partir de 2007, quando pegou a experi\u00eancia de cantar na igreja, na escola e em bandas de baile em Santa Isabel do Par\u00e1 para tentar criar uma m\u00fasica in\u00e9dita.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo sendo de um interior muito pr\u00f3ximo \u00e0 capital, eu era do interior e pobre. Tinha medo at\u00e9 de escada rolante e elevador&#8221;, ela diz. &#8220;Com uns 7 anos, eu ouvia muita cumbia, merengue, lambada e os ritmos aqui de cima. \u00c9 diferente da galera do sul e sudeste. Por causa das aparelhagens, eu dormia e acordava ouvindo brega. N\u00e3o tem como fugir de algo que est\u00e1 entranhado dentro do meu ser.&#8221;<\/p>\n<p>Viviane, 40, tinha 20 e poucos anos e trabalhava numa loja vendendo lingerie quando um amigo chegou at\u00e9 ela com uma base instrumental. Ela comp\u00f4s &#8220;Vem Meu Amor&#8221;, cl\u00e1ssico do tecnomelody, sob os olhares da patroa e em poucos meses a m\u00fasica j\u00e1 era febre no norte.<\/p>\n<p>A cantora estava na loja quando recebeu a liga\u00e7\u00e3o de um contratante de Macap\u00e1 perguntando se ela era a Viviane, e se fazia shows. &#8220;Eram tr\u00eas shows por R$ 4 mil. Eu disse sim na hora! Trabalhava um m\u00eas para ganhar R$ 350&#8221;, afirma. Ela era t\u00e3o t\u00edmida, diz, que contratou um cantor s\u00f3 para fazer a comunica\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico nesses primeiros shows.<\/p>\n<p>Contagiante, &#8220;Vem Meu Amor&#8221; \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o que poderia servir de defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 o tecnomelody. O estilo surgiu como um desdobramento do tecnobrega, que na virada dos anos 1990 para os 2000 transformou o brega paraense com batidas e um modo de fazer eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p>Menos acelerado, com arranjos minimalistas de teclado e temas de romances, o tecnomelody j\u00e1 existia antes de Viviane. E encontrou um terreno f\u00e9rtil para se desenvolver na cidade da cantora, de onde vem Betinho Izabelense, DJ e produtor com quem ela trabalha at\u00e9 hoje, e refer\u00eancia no estilo.<\/p>\n<p>Seu nome art\u00edstico veio de uma variante ainda mais espec\u00edfica do tecnomelody feito em Santa Izabel por bandas como AR-15 e Os Brothers, em torno de 2006. &#8220;Na \u00e9poca que lan\u00e7amos essa batida, por ser um pouco mais pesada, os DJs falavam &#8216;solta o batid\u00e3o&#8217;. Veio da\u00ed&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ando m\u00fasica atr\u00e1s de m\u00fasica, e inserida no circuito das aparelhagens, Viviane ganhou aten\u00e7\u00e3o nacional em programas de audit\u00f3rio. Participou das atra\u00e7\u00f5es de Faust\u00e3o, ent\u00e3o na Globo, e do programa de Marcos Mion no SBT, mas nunca explodiu de fato no resto do Brasil.<\/p>\n<p>\u00c0quela altura, e na verdade at\u00e9 hoje em alguma medida, Viviane sequer se considerava uma grande cantora. &#8220;Acho que sou esfor\u00e7ada&#8221;, ela ri. &#8220;Sou cantora, mas vejo v\u00e1rias outras com muita t\u00e9cnica, e n\u00e3o consigo, tenho minhas limita\u00e7\u00f5es. Sou contralto, tenho uma voz mais b\u00e1sica, n\u00e3o consigo brincar muito de melisma.&#8221;<\/p>\n<p>Por volta de 2012, j\u00e1 estabelecida, ela teve uma conversa com o produtor Carlos Eduardo Miranda, morto em 2018, que se tornou uma das pontes da m\u00fasica paraense com o resto do Brasil. O papo foi um divisor de \u00e1guas para a constru\u00e7\u00e3o de Viviane enquanto artista.<\/p>\n<p>&#8220;Tem gente que canta muito bem e n\u00e3o consegue ser consumido. O teu problema de desafinar, isso voc\u00ea aprende com aula de canto&#8221;, disse Miranda, ela recorda. &#8220;Voc\u00ea tem algo que nem gente que canta bem tem, que \u00e9 estrela. Isso voc\u00ea nasce, n\u00e3o aprende.&#8221;<\/p>\n<p>Depois dessa conversa, Viviane correu para a aula de canto, e hoje \u00e9 percept\u00edvel o dom\u00ednio que tem dos microfones no palco, ainda que n\u00e3o fa\u00e7a tantas estripulias. Sua dedica\u00e7\u00e3o foi direcionada ao desenvolvimento est\u00e9tico de sua m\u00fasica e visual.<\/p>\n<p>Parte do apelo da cantora \u00e9 fazer vers\u00f5es em portugu\u00eas de sucessos gringos na linguagem do tecnomelody. Viviane nunca faz tradu\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas, e nem mesmo os arranjos se parecem com os originais. De certa forma, \u00e9 quase como compor uma can\u00e7\u00e3o original, ainda que a partir de um esqueleto mel\u00f3dico j\u00e1 existente.<\/p>\n<p>&#8220;Eu procuro nem ler tradu\u00e7\u00e3o no Google. Quando fazia vers\u00e3o, queria entender aquela sonoridade, achar algo que se parecesse com uma palavra em portugu\u00eas. A partir daquilo eu come\u00e7ava a montar a m\u00fasica. S\u00f3 descobria a letra da m\u00fasica depois que a minha j\u00e1 estava estourada.&#8221;<\/p>\n<p>Ela diz que sempre deu os cr\u00e9ditos aos criadores, que incluem de Rihanna \u00e0 cantora americana LP -no caso dessa \u00faltima, transformou &#8220;Lost on You&#8221; no hit &#8220;Olha Bem pra Mim&#8221;. Viviane diz que n\u00e3o faz vers\u00f5es das m\u00fasicas em espanhol que fazem sucesso no norte do pa\u00eds, e nem de m\u00fasicas nacionais.<\/p>\n<p>Abriu uma exce\u00e7\u00e3o para &#8220;Envolver&#8221;, de Anitta, que apesar de brasileira \u00e9 quase toda cantada em espanhol. &#8220;Em castelhano, falam muito parecido com a gente, para mim fica muito c\u00f3pia&#8221;, diz. &#8220;J\u00e1 n\u00e3o vou ter muito trabalho, deixa eu pelo menos criar a letra.&#8221;<\/p>\n<p>Ser uma artista pop no estilo de Beyonc\u00e9 ou Madonna, ela diz, \u00e9 seguir uma tradi\u00e7\u00e3o paraense. &#8220;Para mim, Joelma \u00e9 a maior artista pop do Brasil&#8221;, afirma. &#8220;Sou f\u00e3 da Ivete, da Anitta, da Ludmilla, mas a Joelma vem do Norte e sabemos que existe um preconceito com o que fazemos aqui. Ela se manteve sendo respeitada, com identidade visual \u00fanica -cabelo loiro, bota, coreografia, dan\u00e7arinos. Poderia ter se rendido ao que vem de fora ou est\u00e1 na tend\u00eancia, mas se manteve firme \u00e0 identidade dela.&#8221;<\/p>\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 nas botas gigantes que Viviane usou em seu primeiro show. Quando o tecnomelody entrou num momento de baixa, h\u00e1 cerca de dez anos, ela n\u00e3o abandonou o g\u00eanero. &#8220;Quase todas as bandas de tecnomelody come\u00e7aram a gravar arrocha. Ficamos eu e AR-15&#8221;, diz. &#8220;Os cach\u00eas estavam desvalorizados, n\u00e3o tinha show.&#8221;<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o s\u00f3 atravessou a mar\u00e9 baixa como renasceu maior. Foi s\u00f3 depois da pandemia que a cantora aceitou a coroa de rainha -que, ela diz, foi dada pelo povo, e n\u00e3o por ela mesma.<\/p>\n<p>Para ganhar o Brasil, Viviane precisa enfrentar tamb\u00e9m a maneira de distribuir m\u00fasica. No Par\u00e1, entrar no repert\u00f3rio de uma aparelhagem \u00e9 fundamental para ter sucesso nesse segmento.<\/p>\n<p>&#8220;Quando surgi, era o auge das aparelhagens. Eu e Betinho t\u00ednhamos uma demanda de 15 m\u00fasicas por m\u00eas. A gente fazia, o dono da aparelhagem pegava e n\u00e3o subia em nada. Ficou tudo disperso.&#8221;<\/p>\n<p>Hoje, Viviane calcula que possui um ter\u00e7o das cerca de 1.000 m\u00fasicas que gravou na carreira. H\u00e1 uns seis anos, ela teve de reaprender a cantar algumas m\u00fasicas para fazer uma turn\u00ea no Mato Grosso. &#8220;O pessoal l\u00e1 consumia as m\u00fasicas que eu j\u00e1 nem lembrava&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A cantora levantou cerca de 70 faixas da \u00e9poca que fazia o batid\u00e3o, sucessos inacess\u00edveis para quem quer ouvir. Quer lan\u00e7ar essas m\u00fasicas no streaming, mas teme que elas v\u00e3o se perder na l\u00f3gica dos algoritmos.<\/p>\n<p>De qualquer forma, seu show est\u00e1 pronto para chegar em qualquer pra\u00e7a do pa\u00eds. Nos \u00faltimos anos, Viviane aumentou o cach\u00ea e passou a investir em estrutura de palco, coreografias e na cria\u00e7\u00e3o de um espet\u00e1culo c\u00eanico em que n\u00e3o fica devendo nada para as divas pop do sudeste.<\/p>\n<p>Mas o segredo para aproveitar esse momento de visibilidade da cultura paraense, pr\u00f3ximo da COP30, ela diz, \u00e9 n\u00e3o chegar sozinha. Se mais artistas da regi\u00e3o estiverem fazendo sucesso fora, fica mais f\u00e1cil para quem chega.<\/p>\n<p>Mais do que alavancar um nome, o importante \u00e9 reconhecer toda uma cultura, com suas idiossincrasias e modos particulares de existir.<\/p>\n<p>&#8220;O topo n\u00e3o derruba a base. Mas a base derruba o topo. Se tu chegar sozinha l\u00e1, e te derrubarem, a base cai e o topo cai. Agora, se tu chegar l\u00e1 em cima e levar um movimento junto, mesmo se tu cair, n\u00e3o derruba a base.&#8221;O jornalista viajou a convite do festival Psica<\/p>\n<p>Fonte: noticiasaominuto.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BEL\u00c9M, AL (FOLHAPRESS) &#8211; Por volta de 2017, Viviane Batid\u00e3o decidiu subir suas m\u00fasicas no<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":40448,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/portalnewsgta.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40447"}],"collection":[{"href":"https:\/\/portalnewsgta.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/portalnewsgta.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalnewsgta.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40447"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/portalnewsgta.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40447\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/portalnewsgta.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40448"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/portalnewsgta.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40447"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalnewsgta.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40447"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/portalnewsgta.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40447"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}